quinta-feira, 7 de março de 2013

O Presente.

Anseios por uma vida magnífica
Paz e amor se fazendo em cada canto
Buscando um modo de secar o pranto
Por viver nessa realidade fatídica

Partiram-se os laços do julgamento
Que o sopro incessante levou para outros horizontes
E esse suor que me escorre pela fronte
Atinge tanto a pele como o pensamento

Creio que era em outra existência
Na época em que as rosas brilhavam
Frases de amor sussurravam
Repletas de clemência

Andando lentamente naquela trilha
A grama encobria meus passos
Uma tempestade me acolhia em seu abraço
Semelhante a um amor de filha

Então, disse eu:
" - Ó tempestade, por que vais?
Tuas gotas já não molham mais
Volta e acalenta o sono meu..."

E o sol que me agradou
Na manhã trazia a boa nova
Prendia-me na esperança que renova
Que agora há muito me deixou

O silêncio que histórias contava
Sobre o destemido céu de anil
Entre as aves que migravam para o rio
Uma suave melodia se originava

Em um relance tempos mudaram
Vivências acabaram
Se tudo aquilo teve um final
Por que ainda vivo?

Já não há rosas brilhantes
E a beleza se esvai
Amores não proliferantes
Magoam a triste pétala que cai

Já não há trilhas de grama
Já não há tempestades acalentadoras
Perderam suas forças acolhedoras
Por uma temível fúria insana

O sol das manhãs está calado
A esperança desprendeu-se de mim
Agora acredito em um fim
Que no meu peito está guardado

Ah! Doce paraíso que já não volta
Conseguirei seguir em frente?
E tu, presente
Suplico-te, me solta!


Samuel Garcia
Piratini, 07/03/2013

sábado, 2 de março de 2013

Olhares não Mentem.

O que escondes de mim?
Ao meu lado noto o quão ficas conturbada
Por que ages assim?
Queres algo sussurrar mas permanece calada

Tua boca abre sorrateira
Mas tem medo do mundo lá fora
E as palavras derradeiras
Ficam para outro agora

O que te amedrontas?
Estás perdida e sabes disso
Enquanto não cortar as pontas
O espinho te causará prejuízo

Mantenha o coração leve
E o permita falar por ti
O medo é que não deve
Atuar sem o teu consentir

E se por um acaso
As palavras se perderem
Vais observar que em todo fundo há o raso
E num inocente olhar elas se refazerem

Então saberia eu o que anseias falar
Aliviaria a tensão que teus lábios há tempos sentem
Porém, mais sincero que palavras pronunciar
É o brilho dos olhares que jamais mentem


Samuel Garcia
Piratini, 02/03/2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Uma Longa Noite.

Oh! Amada dos sonhos meus
Estes lindos olhos, criação do Deus
A brisa sofreu pelo açoite
Naquela longa noite

Ainda que os nossos sorrisos
Ultrapassassem todo juízo
Éramos mais que homem e mulher
Aliados numa luta contra uma ameaça qualquer

E vai além de toda compreensão
Beijos que ligavam a alma ao coração
E nenhuma palavra foi pronunciada
Naquela longa noite de amores dourada

Seria tamanha carência?
A lua presente negava com veemência
Tua pele macia como o belo alabastro
Fazia-me nos sonhos seguir o teu rastro

Ah! Quanta fortuna tenho eu
Provei o lábio teu
Venero-te, ó amada moça
Te contemplar é minha força

Em teus braços senti o infinito
Testemunhei a existência do mito
A essência que adentrou n'alma
Embelezou as raízes da calma

Afeições em torrentes
Olhares reluzentes
Diga-me, ó tempo rei
Tudo isto mais uma vez eu gozarei?

Pois bem te digo, amada minha
Nosso destino se encaminha
Ah! Quão inocente foste!
Jamais esquecerei aquela longa noite


Samuel Garcia
Barrocão, 3º Distrito de Piratini, 21/02/2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Lagoa dos Encantos.

Se apago as mágoas da fria solidão
Renovo meu ânimo no cruel vendaval
Por alimento há esse desconhecido
Quiçá um sonho esquecido
Percorreu caminhos de perdição
Sucumbiu a uma deriva
E morreu nas garras da escuridão

Durante as tardes admiro o azul do céu
De tempos outrora toma-me uma nostalgia
Sim... eu compreendi o amor
Conheci até mesmo seu mais latente fervor
E eu... não sei ao certo como rompeu-se delicado cordel
Quem dera que as flores permitissem
Reviver aquele passado meu

Nos carinhos perdidos havia uma esperança
Lábios de mel tornaram-se amargos
Lágrimas pesavam no rosto
Estrelas afogadas em desgosto
Ah! Chega a lembrança
A cada aurora derrama melancolia
Por que não posso ter uma vida mansa?

À noite, sento-me à lagoa
Iluminada pelo coração do luar
Somente ela sabe apaziguar a alma do poeta
Sua voz é incessante... inquieta!
Entende-me melhor do que qualquer outra pessoa
É a fuga dos meus pesadelos
Somente ela minhas lágrimas escoa

O som das tuas águas
Mais belo hino celestial
Sentado à tua beirada
Do amanhecer à madrugada
Vivo o momento e esqueço o passado
Oh! Lagoa dos encantos
Não me deixe abandonado


Samuel Garcia
Barrocão, 3º Distrito de Piratini, 14/02/2013

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Aquelas Campinas.

Nas águas abrigadas
Banha-se a bela menina
Suas cantigas aveludadas
Ressoam naquelas campinas

O brilhante pôr-do-sol
Viver os sonhos me ensina
Da montanha faz seu lençol
E eu observo de lá das campinas

Lá vem a tempestade
Vamos chuva! Me fascina
Que seus pingos tragam felicidade
Ao verde daquelas campinas

As manhãs banhadas no orvalho
Até mesmo a gota mais fina
Rejuvenesce o mais belo carvalho
Daquelas verdes campinas

Cevo animado meu mate
O peito leva a sagrada sina
Mesmo que o afã me maltrate
Pulsa o amor pelas campinas


Samuel Garcia
Barrocão, 3º Distrito de Piratini, 09/02/2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Soneto da Paz.

Comigo vivo tempos de trégua
Deixo para trás as garras da solidão
Como as flores livram-se da névoa
E embelezam uma imensidão

Ouço o vento e a correnteza
As pálpebras levianas
Fecham-se com firmeza
Fazem-me questionar minha existência humana

Fitando e sentindo as maravilhas do mundo
A perfeição se faz realidade diante do meu olhar
E essa paz... ah! Amo-a mais que tudo

As gotas do orvalho que molham a mim
O raio do sol que resplandece 
Deus! Quero a paz até o fim...


Samuel Garcia
Piratini, 03/02/2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Brilha Lua! Brilha!

A noite me convida a contemplá-la
Os seus laços tendem a me prender
Como se eu pudesse moldá-la
Em uma nova forma de viver

E que os pensamentos me sussurrem
O quão bem traz o luar
Ainda que as estações mudem
O clarão da lua é o meu lugar

Na tua luz divina
Encontro uma paz celestial
Minh'alma ilumina
Em teu forte abraço fraternal

Querida confidente
Conhece do pequeno ao meu maior segredo
Quantas vezes finge-te indiferente?
Quantas vezes põe-te no horizonte mais cedo?

Ah! O que seria de mim
Sem a tua luz para me guiar
São tantas memórias sem fim
Me compreende sem nada perguntar

Muito eu fujo dos nossos princípios
Sombras se atravessam em meu caminho
Como tu percebes os indícios?
Removes com tamanha sabedoria esses espinhos

Arrependo-me de no passado distante
Desconhecer-te, ó doce lua
E se por vezes fui tão errante
Era buscando a ajuda tua

Sei que agora brilha em outras terras
E eu aqui afundado em nostalgia
Ao futuro declararei guerra
Se não puder te ver outro dia

Brilha lua! Brilha!
Traga felicidade à madrugada
Cuida das estrelas, tuas filhas
Pois vem vindo a alvorada...

Dedicada à Maikele Farias
Samuel Garcia
Piratini, 02/02/2013