domingo, 28 de abril de 2013

Traços de um Poema.

Parti em silêncio
O trovão interrompeu
A última gota de esperança
O medo então bebeu

O sol não obedece
O luar já não conforta
Do que a alma carece
O coração tem a resposta

Coragem vem ao meu encontro
Prontifica-se a acompanhar-me
Pois tu é nada mais que um monstro!
Trazes a vaidade para consumar-me!

O temível frio que tortura
As forças do espírito
A carne que se afoga em amargura
Por não estar ao seu alcance o infinito

Sem abrigo, sem fé
Lutar parece loucura
Com grande esforço, me ponho de pé
E tento relembrar algumas juras

Juras distantes, juras perdidas
Muito chamaram mas nada ouvi
Quantas desgraças sofridas
Pago agora por momentos em que nunca agi

Lembro as palavras vazias
Lábios puros de traição
Corpos submissos à mãos frias
Fingindo serem servas da paixão

Lembro o que esqueci
Acho o que perdi
É esse caminho ilusório
Que me trouxe até aqui

O frio é intenso
O frio não perdoa
Já não mais aguento
A vitalidade escoa...

A alma agora é livre!
O único fim do maior dilema
A vida que não encontrou a felicidade interior
Como os traços de um poema


Samuel Garcia
Piratini, 28/04/2013

domingo, 21 de abril de 2013

Merecer.

Nessas ilusões destemidas
Que insistem em se fazer
Perguntam-me questões respondidas
E assim vivo sem saber
O que posso merecer

Aves gorjeando amável melodia
O límpido céu azul ao seu ver
Bebendo versos de alegria
Clamo pelo amanhecer
Pois desconheço o que posso merecer

Seguido pelo passado errante
Falhas que sempre buscam me vencer
São passos longos e desgastantes
Nunca aprendo o que me faz esquecer
Sobre o que posso ou não merecer

Anseio por um novo horizonte
Que então fará uma descoberta nascer
Esperando o amanhã, apago o ontem
Não há mistério em crer
Mas ainda desconheço o que posso merecer

E se em vez do amanhã, eu gozar o hoje?
Sabendo que o amanhã não floresça
Ignoro o futuro e olho para trás
Confiando nessa conclusão, espero que ela cresça
Pois talvez eu mereça...


Samuel Garcia
Barrocão, 3º Distrito de Piratini, 20/04/2013

domingo, 14 de abril de 2013

Rabiscos.

Nos devaneios repentinos
Nas estrelas que reinam o céu
O inocente pensar de uma criança
Traça rabiscos no papel

Um círculo amarelo
Sol que aquece nossas vidas
Repleto de puro amor
Preenche os espaços de tamanha bondade contida

Alguns círculos brancos
Nuvens que encobrem nossas decisões
A certeza exige luz
Pra iluminar o caminho em meio a tantas contradições

Linhas verticais contínuas
Pingos da chuva que escorrem em nossos rostos
Há consigo frescores e arrepios
Que buscam todos sonhos depostos

Linhas horizontais contínuas
Vento da tentação incessante
Traz e leva folhas de outras estações
Nos empurra pro lado errado, não obstante

Na base, uma grande linha horizontal
É o chão que nos sustenta
Só não caiamos ou tropeçamos
Nessa longa estrada que maltrata e acalenta

Traduzir nossa vida?
Não é tarefa árdua
Sentidos nascem no fundo do peito
E revelam a nós mesmos, uma triste mágoa

Mágoa pelo mundo hoje
Que já foi muito melhor
Sabendo que parece em vão
Cada pingo de suor

Os braços nada seguram
As pernas nada sustentam
Verdades que nunca mudam
Batalhas que nunca enfrentam

O futuro já vem vindo
E o tempo anunciando
Morreu-se o que era lindo
E acabou não ressuscitando


Samuel Garcia
Piratini, 14/04/2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Não é por te Querer.

Não é por te querer
Que esses olhos brilham tanto
Imaginando divinos encantos
Querem serenos, permanecer

Não é por te querer
Que já estás contra o tempo
Julgando o valor de um momento
Que nunca foste capaz de compreender

Não é por te querer
Que o silêncio a acompanha
Sonha calada e questiona uma vida estranha
Desconhecendo o mundo sem perceber

Não é por te querer
Que sorris ao sol e a lua
Contempla-os com essa doçura
E faz-se em ti, a real alegria de viver

Não é por te querer
Que a impulsividade lhe manipula
Que aquela segurança, agora é nula
Buscas o certo, busca somente o dever

Não é por te querer
Que viajas incessante
Pensamentos delirantes
Prevalece teu sofrer

Não é por te querer
Que perdeste a bela flor
Submissa a um amor
Temes que venha a perecer

Não é por te querer
Juro-te, ó amável moça
Só lhe peço que me ouça
São coisas que estão além do meu saber


Samuel Garcia
Piratini, 12/04/2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mais um Dia de Verão.

Mais um dia de verão
Mais um dia sem meu amor
Desde quando soltei a tua mão
Desejo dos teus lábios, o sabor

Quão demora...
Como esquecer essa verdade?
Linda moça, saiba agora
Esse amor é o ápice de nossa mocidade

Nesse dia perdido de verão
Há pegadas de saudade na areia da vida
E as águas do amor, onde estão?

Os ventos não sopram
A areia não molha
As pegadas se multiplicam...


Samuel Garcia
Piratini, 01/04/2013

Ando.

Ando tão diferente
Perdido em pensamentos
Achado em dúvidas
Necessito ensinamentos

Ando tão cético
Confiança quem conhece é meu olhar
Nem mesmo um ponto de vista profético
Saberia esclarecer este pensar

Ando tão anormal
Ora sereno, ora raivoso
Jogado nas mãos do acaso
Sem livrar-me deste tempo impiedoso

Ando tão esquecido
Um segundo já me é distante
Vejo memórias sem tê-las vivido
Livros que nunca saíram da estante

Ando tão seguro
Sigo qualquer trilha aonde for
Ah, destino! Grande rei e senhor!
Entrego em tuas mãos meu futuro

Ando tão sonhador
Sou refém da imaginação
Sou aliado da inspiração
Reconheço o sentimento e seu devido valor

Ando tão ansioso
Por desvendar segredos de meu coração
Por entender tais verdades ocultas
Que lutam ferozes contra o poder da razão

Ando tão radiante
Por presenciar tua ternura
Por admirar tu'alma pura
Luz celestial! Luz ofuscante!

Ando nos domínios do silêncio
Mas há uma voz que não cala:
"Por viver assim do teu lado
Já sou um apaixonado?"


Samuel Garcia
Piratini, 01/04/2013