sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Intimidação.

Luzes que cintilam nas minhas viagens
Gritos ressonantes que não querem calar
Em instantes, meu foco é a imagem
De alguém que parece ir sem chegar

Eu tenho aquela sabedoria
Poder te decorar por inteira
Entender o que tanto proibia
Tua presença de ser costumeira

Eu ouço tuas pisadas neste chão
Na vida real, por instinto, disfarço
A angústia dos anos que se vão
E dos meus olhos, esse embaço

Eu sei que estás do outro lado
Deste muro de temores e afazeres
Enquanto meu maior pecado
É a rendição perante tolos prazeres

Quanto ao que penso sem cessar
Se trata de uma avariada contradição
Tão simples e complexo te mirar
Embriagado, extasiado de intimidação

Não sei dizer se pra ti existe um céu
Mas o sol e a lua guardam o teu berço
O seio que ungiu teus lábios com mel
E a criação que te fez única no universo

Poderiam passar dias, meses e anos
E ainda lembraria cada detalhe
Do sonho, que logo é um engano
Contanto que a mente não falhe

Que honra foi lhe ter ao meu alcance
Estando a tua frente, a te admirar
O destino, a si próprio, dá nova chance
Talvez não só tu chegues, como decidas ficar


Samuel Garcia
Piratini, 11/09/2015