segunda-feira, 25 de março de 2013

Definições.

É maior do que se pensa
É o brilho na escuridão
É uma felicidade imensa
É o “sim” que vence o “não”

É a palavra salvadora
É a proteção que ampara
É a verdade redentora
É a coragem que a tudo encara

É criação de um poder inimaginável
É o que excede os limites da compreensão
É a linguagem indecifrável
É a mãe de toda afeição

É a tua estrela guia
É a força que extermina o mal
É o sol dos teus dias
É a reciprocidade sem igual

É o sentido da vida
É o mais belo esplendor
É a lágrima esquecida
Assim é o amor


Samuel Garcia
Piratini, 25/03/2013

terça-feira, 19 de março de 2013

O Certo e o Errado.

Idéias se transformam
O mundo gira demais
O que antes era certo
Hoje já não sabemos mais

Costumes mudando muito
Tradições se perdendo também
Conceitos deixados de lado
E isso irá além

Pessoas deixam de ver
O que é certo,
E o que é errado
Deixam de lado o conhecimento
Que antes lhe era passado

Correm os anos apressados
Frio e indomável é o tempo
São futuros e passados
Mas o que vale é o momento

O tempo...
Leva sorrisos e prantos
Leva pedaços de nós
Identidades cobertas em mantos
Ninguém percebe que estamos a sós?

Seres de suma ignorância
Infelizmente é o nosso rosto
Tradições não tem importância
Será estupidez ou desgosto?

Maravilha é o redor
Nem todos são iguais
Quando tudo pende para o pior
Surgimos, confiantes e triunfais

O homem é sempre o mesmo
A mente é o diferencial
Vivendo somente à esmo
Um conceito esquecido é normal

Guardar o que nos é essencial,
Será isso uma proteção?
Contra o que conhecemos
Usamos o que resta de razão


Samuel Garcia / Carine Moreira
Piratini, 19/03/2013

sábado, 16 de março de 2013

Relato de um Condenado.

As memórias que restaram
Caem de légua em légua
E onde as lágrimas ficaram? 
Em um sofrimento sem trégua?

Naquela face, quis ressurgir
Um segredo proibido
E quando parecia fluir
Foi misteriosamente banido

As lágrimas correram
E a verdade não se fez
Os lábios antes rosados
Agora perecem em palidez

Culpa desse insano pecado
Permitiu que as saudades fossem arrastadas
Sobre as entranhas do mais sombrio destino
Matando então lembranças marcadas

Fome insaciável
Ferida incurável
Prestes a cair nesse abismo de ilusões
Onde serei consumido por condenações

Quero gritar mas não tenho voz
Quero escapar do destino feroz
Olhando para o alto, os céus me empurram
Olhando para baixo, as profundezas me sugam

Apesar de tudo, algo ainda viverá
Só não chores. Oh! Amada minha
Sei que em direção ao vazio, tu caminhas
Perguntando se tudo isso acabará

Sim, eu morro, mas há tanto que fica
Se somente eu pudesse te explicar
Que em cada toque, em cada olhar
É o meu amor que em ti habita

Isso tudo tu vais descobrir?
Agora não há como te falar
A voz já não pode revelar
Só te resta sentir...


Samuel Garcia
Piratini, 16/03/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tudo ou Nada.

Nada sinto
Nada senti
Se digo que te amei, minto
Se digo que te odiei, menti

Nada tenho
Nada tive
Se digo que te busco, venho
Se digo que te procurei, não estive

Nada feito
Nada fiz
Se digo que te abraço no meu peito
Se digo que te amar é o que sempre quis

Nada espero
Nada teria
Se digo que te quero, espero
Se digo que não espero, queria

Nada posso
Nada conto
Se penso que te perdi, choro
Se chorei ao lembrar de nós, não conto

Nada tive
Nada ganhou
Se tive a chance de te ter, perdi
Se me teve para ti e não quis, deixou

Deixou de lembrar
Deixou de ganhar
Deixou de amar
Deixou de querer
Deixou de ser
Deixou de me ter...

Tudo perdeu
Nada terá
Tudo que é meu
Não mais, seu será

Tudo que perdeu
Não voltará
Nada que sonhei
Se realizará

Tudo vivo
Tudo vivi
Se digo que tua voz é um alívio
Se digo que ao te ver, eu sorri

Tudo amo
Tudo é amor
Se novamente me perder, te chamo
Se novamente sentir frio, quero teu calor


Samuel Garcia / Carine Moreira
Piratini, 13/03/2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Presente.

Anseios por uma vida magnífica
Paz e amor se fazendo em cada canto
Buscando um modo de secar o pranto
Por viver nessa realidade fatídica

Partiram-se os laços do julgamento
Que o sopro incessante levou para outros horizontes
E esse suor que me escorre pela fronte
Atinge tanto a pele como o pensamento

Creio que era em outra existência
Na época em que as rosas brilhavam
Frases de amor sussurravam
Repletas de clemência

Andando lentamente naquela trilha
A grama encobria meus passos
Uma tempestade me acolhia em seu abraço
Semelhante a um amor de filha

Então, disse eu:
" - Ó tempestade, por que vais?
Tuas gotas já não molham mais
Volta e acalenta o sono meu..."

E o sol que me agradou
Na manhã trazia a boa nova
Prendia-me na esperança que renova
Que, agora, há muito me deixou

O silêncio que histórias contava
Sobre o destemido céu de anil
Entre as aves que migravam para o rio
Uma suave melodia se originava

Em um relance, tempos mudaram
Vivências acabaram
Se tudo aquilo teve um final
Por que ainda vivo?

Já não há rosas brilhantes
E a beleza se esvai
Amores não-proliferantes
Magoam a triste pétala que cai

Já não há trilhas de grama
Já não há tempestades acalentadoras
Perderam suas forças acolhedoras
Por uma temível fúria insana

O sol das manhãs está calado
A esperança desprendeu-se de mim
Agora acredito em um fim
Que no meu peito está guardado

Ah! Doce paraíso que já não volta
Conseguirei seguir em frente?
E tu, presente
Suplico-te, me solta!


Samuel Garcia
Piratini, 07/03/2013

sábado, 2 de março de 2013

Olhares não Mentem.

O que escondes de mim?
Ao meu lado, noto o quão ficas conturbada
Por que ages assim?
Queres algo sussurrar, mas permanece calada

Tua boca abre sorrateira
Mas tem medo do mundo lá fora
E as palavras derradeiras
Ficam para outro agora

O que te amedrontas?
Estás perdida e sabes disso
Enquanto não cortar as pontas
O espinho te causará prejuízo

Mantenha o coração leve
E o permita falar por ti
O medo é que não deve
Atuar sem o teu consentir

E se por um acaso
As palavras se perderem
Vais observar que em todo fundo há o raso
E num inocente olhar, elas se refazerem

Então saberia eu o que anseias falar
Aliviaria a tensão que teus lábios há tempos sentem
Porém, mais sincero que palavras, pronunciar
É o brilho dos olhares que jamais mentem


Samuel Garcia
Piratini, 02/03/2013