sexta-feira, 3 de junho de 2016

Vozes de um Amor Ferido.

Escuto vozes nesse lugar
Que retumbam por toda prisão
Foi querendo me salvar
Que abracei minha punição

Pensei ter perdido o desafio
Não sabia ao certo como
Decorava sutileza e elogios
Nas noites sem sono

Era quem mais lhe adorava
Mesmo assim, não foi o bastante
Meus atos, minhas frases, eu revisava
À busca de um erro a todo instante

Não poderia ter errado
Só sabia lhe enaltecer
Vai dizer que não tinha sonhado
Com alguém pra lhe convencer...

... de que é linda e feiticeira
Culta e dançarina
Submissa e guerreira
Mulher e menina
(Verdades que eu gostaria de negar...)

Imerso em lacrimosa solidão
Na noite infinita e cruel
Estrelas foram ao chão
E a lua evitou o céu

Havia um profundo rancor
Pela minha forma e meu ser
Por não provocar seu amor
E ser incapaz de lhe merecer

Sou prisioneiro da culpa
Juntamente com a razão
Após reparos e desculpas
Comecei a entender a questão

Daqui, sairei quando me perdoar
Por amaldiçoar quem eu sou
Mas estou calmo, não vai demorar
Porque sei quem foi que errou

Em parte, você estava certa
A superioridade existiu
Quando fizer tal descoberta
Verá que sua felicidade, destruiu

No peito, ainda sinto pontadas
Ao viajar por um futuro proibido
Desponta o sol na madrugada
E as vozes já são gemidos


Samuel Garcia
Piratini, 03/06/2016