domingo, 15 de março de 2015

Seja Cedo, Seja Tarde...

Seja cedo, seja tarde
Enquanto for duradoura
A felicidade que tanto me arde
Ao nascer da aurora vindoura

Procuro sempre me orientar
Mas estou encurralado
Por raios incandescentes a cintilar
Colorindo o céu, antes estrelado

O tempo se rende aos corações bons
Cujos feitos eternamente viverão
Prevalecem dentre os tons
De vida e morte em distinção

E no testemunho da bela natureza
Perpasso meu ser no teu rosto
Onde vibro com tamanha beleza
Desse sorriso meigo e disposto

Meu destino é em direção ao sol
E esse vento vai castigar teus cabelos
Perfumes impregnam teu negro lençol
Ah! Quem me dera algum dia, tê-los...

A iluminada aurora chegou
Porém, agora, quero pegar na tua mão
Vem comigo que ainda não acabou
Temos uma jornada por este chão

Nada vejo, minha visão se apagou
Não sinto teus dedos, ah! Não pode ser!
Emboscada que a vida preparou
Até por completo te esquecer

Passado e futuro
Inexistentes em mim
A brisa e o suor em meio ao escuro
É uma tempestade sem fim

Sou apenas um homem que ainda vive
Que desconhece se resiste ou já resistiu
Lembro vagamente que estive
Tentando encontrar alguém nesse vazio


Samuel Garcia
Piratini, 15/03/2015