quarta-feira, 14 de maio de 2014

Teu Reino.

Veja! Quantas luzes neste pedaço de céu
Ora, pois quão perfeita harmonia
Tem a serenidade daquele sorriso teu
E tudo isso, a ti pertence, quem diria?

Espero que, de mim, não esqueças
Mas o poder não te cega
Teu reino vive de outras riquezas
Paz e amor é o que prega

É certo que tu estás muito melhor agora
Talvez seja egoísmo te querer aqui
Mas a saudade não deixa a aceitação agir

As luzes são realmente deslumbrantes
Melhor reflexo de ti, não há e aqui
Eu vivo sabendo que um dia nada vai acabar


Samuel Garcia
Piratini, 14/05/2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Terras Distantes.

Teu estranho mais íntimo
Tuas palavras e todo o resto
Assim, além do inimaginável
Teu corpo, eu infesto

Distância é lenda
Saudade é boato
Retalhos, costuras e emendas
Consertam o que é insensato

Cá no escuro do aposento
O que há, não nos acusa
Se fingirmos não sermos nós
Eu, um outro homem e tu, uma musa

E que seja aos olhos, proibido
O sonho mais real que já se viu
Sem limites é a libido
De dois amantes num quarto frio

Resistência não existe
A submissão é vitoriosa
E assim como eu, tu insiste
Em lutar contra essa tentação poderosa

Tempo e mundo são insignificantes
Se teu lado está junto ao meu
Tua figura e sedução provam o semblante
Da perfeição que o destino me deu

E se tu lê minha boca com um olhar
É quando viajamos por outras terras distantes
Onde vive a pura missão de cuidar
Daqueles que no calor da paixão, nos são semelhantes

Penetrando no meu presente
Apagou meu passado
Pelo crime de antes não te conhecer
Me declarou culpado

Não me importo com o futuro
Contanto que tua estrada seja a minha
A garantia de viver seguro
É jamais te deixar sozinha


Samuel Garcia
Piratini, 09/05/2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As Coisas da Alma.

Sei que fui insensato
Meus lábios sempre fechados
Não trouxeram o ato
Dos amores afortunados

Sei que fui indiferente
Esqueci que havia pressa
Eu, estável e descrente
E o tempo, tão adiante e depressa

Não trago marcas e cicatrizes
Sobre as coisas da alma, eu desconheço
Pouco sei das suas feridas, suas crises
Mas quaisquer consequências, eu sei que mereço

Foram tolices e bobagens
Nomes que soam mesquinhez
Mas podem ser impiedosas e selvagens
Destruindo a reputação que o coração fez

Proteger a alma dos males ao redor
Os discursos e ações em nada ajudam
A proteção cada vez menor
Reza pelas decisões que não mudam

Sei que muito fraquejei
Os erros, hoje, já são mais que eu
Pois tudo o que precisei
Aos sentidos, dissolveu

Os dias são os mesmos de antes
O sol e a lua passam sobre mim
Mas tudo é sempre igual
Uma penumbra que parece não ter fim

Só vivo para descobrir se há volta
Sinto esse profundo vazio
Que não é preenchido e não me solta
Aceito o castigo mas também o desafio

Se houver uma chance, por menor que seja
De inverter a situação do corpo e da mente
Buscaria o que minh’alma doída, almeja
Uma jornada para reverter esse martírio tão presente

Desfechos, conclusões e finais
Palpites sobre o que veio depois
Não vem tão naturais
Quanto ao que foi partido em dois


Samuel Garcia
Piratini, 07/05/2014