domingo, 23 de março de 2014

Eu deveria dizer a ela...

 Há três anos eu olhava pela pequena janela do meu quarto me perguntando quando o futuro viria, quando me levaria. Eu chorava procurando paz no horizonte porque tudo demorava a chegar e eu queria a vida agora, eu queria viver! Tu me trazias parte disso cada vez que atravessava o portão. Tu me salvavas um pouquinho, um pouquinho a cada dia. Vinhas com um sorriso... A boca cheia de gracejos, os dentes alvos de promessas. E me enchia. E eu odiava. Tu eras tudo que eu gostaria de ser e também o que eu abominava. Eu comia inveja em todas as refeições. Bebia orgulho para matar a sede. Agora por dentro eu fiquei amarga... mas, pelo menos, tu ficaste banguela. 


Maikele Farias,
Porto Alegre, 2014.

sábado, 15 de março de 2014

Onde Estão as Poesias de Amor?

De olho no horizonte
Espero a inspiração-fonte
Eu sigo aonde for
As poesias de amor

Sonhos de um amante
Ou dos simpatizantes
Há uma magia de euforia e calor
Nas poesias de amor

Amigas das afeições
Irmãs das canções
Desconhecem o rancor
As poesias de amor

Possuem um poder esquecido
O universo seria tão unido
Se todos soubessem o valor
Das poesias de amor

Lembretes ou declarações
Juramentos ou perdões
A beleza e a inocência da flor
Estão presentes nas poesias de amor

E eu que vou atrás
Daquilo que sou capaz
Não penso na dor
Tendo ao meu lado as poesias de amor

Onde estarão as poesias de amor?
Aqui já falta sua graça, falta o sabor
Sem elas, trago ânsias para declamar
Os versos que, em mim, quiseram morar


Samuel Garcia
Bagé, 15/03/2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

Como Encontrei Minha Liberdade.

Estradas tortuosas estão à minha frente
O silêncio acompanha um tom diferente
Até as portas que levam à solidão
O rumo me toma pela mão

Tenho meu próprio mundo
Não respondo a primeiros ou segundos
Tenho meus próprios princípios
Ilusões desprovidas de vícios

Um homem sem igual
Talvez não seja natural
Sigo atrás da trégua há muito procurada
Onde minha verdadeira escolha faz sua morada

Farto estou, de seguir essa direção
Tantos passos, tanto chão
E se o fim não levar a lugar nenhum
Serei dos desacreditados, mais um

Por isso, então questiono
É tão errado querer ser meu próprio dono?
Eu quero caminhar onde ninguém ousa pisar
Vencer desafios que ninguém ousa enfrentar

A estrada vai se tornando mais e mais confusa
À medida em que o forte vento, de mim, abusa
Seu assobio, a cada segundo é mais estridente
Às vezes parece um pesadelo recorrente

Pela frente são pedras e buracos
Prontos para parar os mais fracos
Mas só eu sei quando meu trajeto irá acabar
Quando não tiver mais motivos pra sonhar

Já posso contemplar a solidão
O medo é a sua arma de destruição
Agora ela é minha única companhia
Pode ser que dela, eu me desprenda algum dia

Sinto o cheiro repulsivo da derrota
Dos que caíram nessa mesma rota
Quem sabe não basta a força de vontade
Nem o fôlego e nem a coragem

Mas aqui estou, debilitado, porém, em pé
Joguei-me desesperado nos braços da fé
Não posso afirmar se foi o que me salvou
O certo é que o meu corpo a tudo aguentou

Imundo, exausto e solitário
Agora provarei o contrário
Somos nossos próprios reis
Não somos “nós”, e sim “vocês”

Somos únicos e originais
À parte de humanos, não somos iguais
Não confundam semelhança com igualdade
Eu busquei e encontrei minha liberdade

São tantos os que desistem
Retornam ou se omitem
O prêmio é sermos quem quisermos
Sendo quem deveríamos ser, somos eternos


Samuel Garcia
Piratini, 10/03/2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

“Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos. Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.”
                                                                          

                                 (José Saramago)