domingo, 27 de março de 2016

Mulheres (Atração e Atenção).

Suas formas são semelhantes
As tais filhas da atração
Nos banham em paixões escaldantes
Quando dois corpos, são união

Extremos incompreensíveis
Em desejos complexos e secretos
E quantos futuros possíveis
Entre desprezos e afetos

Cabelo escuro, cor de sangue ou de sol
As narinas absorvem o doce ali pousado
Delírios que humilham o teu juízo
Perfeita mistura de graça e pecado

Um rosto angelical e uma segurança maliciosa
Diversas caras e olhares que realçam sua beleza
Pode ser cautelosa com a chance de um amor
Ou impiedosa com sua mais nova presa

Terra, natureza e céu em seus olhos
Portais para um reino de encantos
Onde como rei poderás viver
Ou como escravo, afogado em prantos

Fazem de seu corpo, valioso instrumento
Delicado, frágil e que exige cuidado
Porém, podem num súbito momento
Libertar um ódio resguardado

Tua deusa, tua própria existência
Puro fascínio, implora clemência
Loucos amores de proporções irreais
Que tornam singulares vidas conjugais

E já parece não ter como prosseguir
Com tanta causa pela qual lutar
É ter contigo alguém para sorrir
Ou ter na memória alguém para te provocar

Mulheres têm o poder
São mentoras da atenção
Que tendem muito a se perder
Nos labirintos do coração

Suas lábias são um prelúdio
Passaporte para essa longa viagem
Onde os dias são nada mais que minutos
E teu corpo, a única bagagem


Samuel Garcia
Piratini, 27/03/2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

Lembranças Mortas.

Parece estranho procurar esquecer
As respostas que há muito, são em vão
Pois um futuro poderia conceber
A improvável e esperada solução

Memórias vivas e culpadas
Que transformam seres e espaço
Uma onda de emoções renegadas
Te faz recontar os teus passos

Longe de qualquer influência
Tenha cabeça erguida e maturidade
Se fraquejar tua resistência
Teus medos irão ignorar a realidade

Perdido, onde reina a escuridão
O domínio inevitável traz a sorrateira loucura
Um pequeno espaço, de repente é imensidão
E o desespero já não tem mais cura

Tudo na vida tem uma razão
Mágoas não são constantes
É vendo os detalhes com atenção
Que se percebe em um instante

Haverão tropeços e arranhões
Em sua jornada conclusiva
Porém, muitos entre bilhões
Ficam jogados à deriva

Talvez é o resultado de se julgar incapaz
De suportar o que não lhe convém
Um ressentimento e uma amargura voraz
Que machucam a si e a outro alguém

Fugir do passado era um desvio
Mas seu propósito foi incapacitar
O que parecia ser um sorriso doce e sadio
Acabou por ser uma lágrima prestes a pingar

Vai ver, nada mais importa
E aqueles dias são apenas outros dias
A indiferença perante lembranças mortas
E respostas banais de perguntas frias


Samuel Garcia
Piratini, 11/03/2016