quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Vida Carnal.

Confesso que sou feliz
Talvez como nunca fui
Longe da dor, o destino me quis
Mas essa distância só diminui

Bem que eu poderia ser incapaz
De discernir o que é do futuro
E viver sem esse medo fugaz
De topar com algum mal obscuro

Consequências irreparáveis
Gravidades devastadoras
Memórias e cicatrizes inapagáveis
Desgraças, aqui, moradoras

Tudo isso procuro evitar
No gozo desse presente triunfante
Eu sei que é inútil premeditar
Aquilo que muda a cada instante

Digo que sou agraciado
Todo meu sofrimento me fortaleceu
E serei plenamente agradecido
Se comprovar que, assim, permaneceu

Tento muito compreender
A seriedade de uma surpresa
É como a estratégia de um poder
Que visa atacar sua fraqueza

Pessimismo e precaução
São tão iguais quanto diferentes
Inexiste doutrina sem reflexão
E sigo entre passos confusos e impacientes

É provável que eu seja desesperançoso
E tenha em mim, uma mágoa contida
Que vê a falha no mais certo duvidoso
E desdenha da mais nobre jura prometida

Ou quem sabe, tenho muita cautela
Uma sempre constante anestesia
Que ameniza a dor, previne a sequela
E me dá a esperança de um novo dia

Eu muito queria uma certeza
Que permitisse sorrir sem hesitar
Trilhar por um chão livre de impurezas
Sem cair nem mesmo tropeçar

Glórias, vidas e segredos
Erradicam o cuidado e a negação
Nas linhas de incontáveis enredos
Onde o fim não é uma conclusão

Quero distância do que fere e é fatal
Tentarei correr até não mais aguentar
Sabendo que além da vida carnal
Meus dilemas não irão me afetar


Samuel Garcia
Piratini, 01/09/2016