Disfarce essa apreensão
E não restrinja seus limites
Queira e exija distinção
Entre o real e o que não existe
Vozes e passos no deserto
Na cidade, silêncio e solidão
"É um sonho, logo desperto"
Também conheço essa confusão
Entenda se de repente
Nada retornar ao que era
Por vezes o que se sente
É bem menos do que se espera
Domine essa naturalidade
E derrame o último segredo
A mentira esbanja sinceridade
Hoje e sempre será cedo
Resta nada a justificar
Se as regras são ásperas
A pulsação prestes a acelerar
Condena os rostos e as máscaras
Discretos pingos de gratidão
Brotarão de suas entranhas
Mas ao pousar secarão
Como euforias momentâneas
Aprecie esse desfecho
E extravase velhas ânsias
Presas seriam um desleixo?
Ou apenas irrelevâncias?
O fim que é passageiro
Desprezará o seu abrigo
Enquanto fantasmas sorrateiros
Trarão com eles seu castigo
Marcas da vida mórbida
Falam de um outro "eu"
Uma natureza sórdida
Que Deus não me concedeu
Samuel Garcia
Piratini, 19/01/2017
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Choque de Distâncias.
Era tão simples e natural
Soluço ao lembrar do tempo
Em que não sentia esse calor infernal
Com teu menor movimento
Teus motivos são desconhecidos
Mas tento sempre uma explicação
A vida tem sabor de amor proibido
E os sonhos aroma de prazer e emoção
Teu rosto é um mero artifício
Quando penso na espessura de tua pele
Uma história sem início
Que a loucura desesperada impele
Teu nome é um mantra
Quase como uma oração
Em teu ser minh'alma encontra
A pureza da admiração
Tua imagem me atordoa
Agride tão feroz o meu peito
Que por todo o corpo ressoa
Sem permissão nem respeito
Sim, eu te culpo
Por essa tortura sofrível
Teu pecado, teu insulto
Provocar o impossível
Não sabes o que passo
Quando estás junto a mim
Temo que em algum abraço
Meu sufoco não tenha fim
Não sabes o que sinto
Quando miro teus olhos vidrados
Desvio e sou quase extinto
Morto até ser despertado
Não sabes o que penso
Em meio à rotinas incessantes
Noutro plano quente e denso
Torno tuas noites mais picantes
Lamento muito não te ver
Mesmo sabendo que assim é melhor
Essa insana paixão tem muito poder
Mas a razão é ainda maior
As circunstâncias são claras e irredutíveis
Mas onde sou rei prova de minhas carícias
Contando minutos impassíveis
Pra beber desejo, amor e outras delícias
Samuel Garcia
Piratini, 22/11/2016
Soluço ao lembrar do tempo
Em que não sentia esse calor infernal
Com teu menor movimento
Teus motivos são desconhecidos
Mas tento sempre uma explicação
A vida tem sabor de amor proibido
E os sonhos aroma de prazer e emoção
Teu rosto é um mero artifício
Quando penso na espessura de tua pele
Uma história sem início
Que a loucura desesperada impele
Teu nome é um mantra
Quase como uma oração
Em teu ser minh'alma encontra
A pureza da admiração
Tua imagem me atordoa
Agride tão feroz o meu peito
Que por todo o corpo ressoa
Sem permissão nem respeito
Sim, eu te culpo
Por essa tortura sofrível
Teu pecado, teu insulto
Provocar o impossível
Não sabes o que passo
Quando estás junto a mim
Temo que em algum abraço
Meu sufoco não tenha fim
Não sabes o que sinto
Quando miro teus olhos vidrados
Desvio e sou quase extinto
Morto até ser despertado
Não sabes o que penso
Em meio à rotinas incessantes
Noutro plano quente e denso
Torno tuas noites mais picantes
Lamento muito não te ver
Mesmo sabendo que assim é melhor
Essa insana paixão tem muito poder
Mas a razão é ainda maior
As circunstâncias são claras e irredutíveis
Mas onde sou rei prova de minhas carícias
Contando minutos impassíveis
Pra beber desejo, amor e outras delícias
Samuel Garcia
Piratini, 22/11/2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Vida Carnal.
Confesso que sou feliz
Talvez como nunca fui
Longe da dor o destino me quis
Mas essa distância só diminui
Bem que eu poderia ser incapaz
De discernir o que é do futuro
E viver sem esse medo fugaz
De topar com algum mal obscuro
Consequências irreparáveis
Gravidades devastadoras
Memórias e cicatrizes inapagáveis
Desgraças aqui moradoras
Tudo isso procuro evitar
No gozo desse presente triunfante
Eu sei que é inútil premeditar
Aquilo que muda a cada instante
Digo que sou agraciado
Todo meu sofrimento me fortaleceu
E serei plenamente agradecido
Se comprovar que assim permaneceu
Tento muito compreender
A seriedade de uma surpresa
É como a estratégia de um poder
Que visa atacar sua fraqueza
Pessimismo e precaução
São tão iguais quanto diferentes
Inexiste doutrina sem reflexão
E sigo entre passos confusos e impacientes
É provável que eu seja desesperançoso
E tenha em mim uma mágoa contida
Que vê a falha no mais certo duvidoso
E desdenha da mais nobre jura prometida
Ou quem sabe tenho muita cautela
Uma sempre constante anestesia
Que ameniza a dor, previne a sequela
E me dá a esperança de um novo dia
Eu muito queria uma certeza
Que permitisse sorrir sem hesitar
Trilhar por um chão livre de impurezas
Sem cair nem mesmo tropeçar
Glórias, vidas e segredos
Erradicam o cuidado e a negação
Nas linhas de incontáveis enredos
Onde o fim não é uma conclusão
Quero distância do que fere e é fatal
Tentarei correr até não mais aguentar
Sabendo que além da vida carnal
Meus dilemas não irão me afetar
Samuel Garcia
Piratini, 01/09/2016
Talvez como nunca fui
Longe da dor o destino me quis
Mas essa distância só diminui
Bem que eu poderia ser incapaz
De discernir o que é do futuro
E viver sem esse medo fugaz
De topar com algum mal obscuro
Consequências irreparáveis
Gravidades devastadoras
Memórias e cicatrizes inapagáveis
Desgraças aqui moradoras
Tudo isso procuro evitar
No gozo desse presente triunfante
Eu sei que é inútil premeditar
Aquilo que muda a cada instante
Digo que sou agraciado
Todo meu sofrimento me fortaleceu
E serei plenamente agradecido
Se comprovar que assim permaneceu
Tento muito compreender
A seriedade de uma surpresa
É como a estratégia de um poder
Que visa atacar sua fraqueza
Pessimismo e precaução
São tão iguais quanto diferentes
Inexiste doutrina sem reflexão
E sigo entre passos confusos e impacientes
É provável que eu seja desesperançoso
E tenha em mim uma mágoa contida
Que vê a falha no mais certo duvidoso
E desdenha da mais nobre jura prometida
Ou quem sabe tenho muita cautela
Uma sempre constante anestesia
Que ameniza a dor, previne a sequela
E me dá a esperança de um novo dia
Eu muito queria uma certeza
Que permitisse sorrir sem hesitar
Trilhar por um chão livre de impurezas
Sem cair nem mesmo tropeçar
Glórias, vidas e segredos
Erradicam o cuidado e a negação
Nas linhas de incontáveis enredos
Onde o fim não é uma conclusão
Quero distância do que fere e é fatal
Tentarei correr até não mais aguentar
Sabendo que além da vida carnal
Meus dilemas não irão me afetar
Samuel Garcia
Piratini, 01/09/2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Amor Próprio.
Por longos anos ele foi indiferente
Inflexível, com leves sinais de amargura
Para si mesmo era um simples vivente
Cobiçando o que seria sua cura
O espelho nada refletia
Fosse costume ou desgosto
Sua mente não absorvia
As mudanças em seu rosto
Porém, haviam algumas mudanças
As quais sem titubear entendia
O coração batendo violento
Alertava que algo o peito invadia
Seu corpo era uma caixa
Dentro, lindas histórias de amor
Das fantasias mais sinceras
Consistia seu interior
Mas permanecia fechada
Jamais ousou ela abrir
Temia que a perfeição almejada
Pudesse não vir a existir
Eram cenários magistrais
Que extraíam todo afeto possível
Do atrevimento e da vergonha
Nasceria um amor invencível
Seu temor foi confirmado
Como alcançar sem estender a mão?
A dor veio pois estava despreparado
Para enfrentar as incertezas da paixão
Depois foi assolado pela decepção
Dirigida a uma pessoa inocente
A imaturidade é a imposição
Sobre o raciocínio que é ausente
A chama da mágoa se extinguiu
Suas cinzas o vento esvoaçou
O espelho então refletiu
A face que nunca o abandonou
Percebeu que o corte machuca
Que o sangue é vermelho vivo
Ele foi totalmente esquecido
Durante seu sonho obsessivo
E aos poucos sem querer
Criou laços consigo
Alimentou o desejo de cuidar e proteger
Do seu corpo, seu amigo
Certa aurora percebeu
Que de amor estava repleto
Olhando aos céus agradeceu
Por ser um homem completo
Sorriu à imprevisão da existência
A cura que jamais encontrou em alguém
Estava presa na imprudência
Em acreditar que era um ninguém
Viu brotar uma fé inabalável
Os dedos obedeceram ao comando
Portando uma segurança admirável
Foi atrás do amor que estava chamando
Ele se deparou com mais desilusões
Mas não o derrubavam como antes
Para resistir às suas frustrações
O amor próprio era mais do que bastante
Incerto é até quando esperar
Por outra mão que pegue na dele
E sua história assim que o momento chegar
Não pertencerá somente a ele
Veja bem quão importante é amar
A si próprio, logo, é obrigação
Custe o tempo que custar
O corpo e a alma estarão de prontidão
Samuel Garcia
Piratini, 22/08/2016
Inflexível, com leves sinais de amargura
Para si mesmo era um simples vivente
Cobiçando o que seria sua cura
O espelho nada refletia
Fosse costume ou desgosto
Sua mente não absorvia
As mudanças em seu rosto
Porém, haviam algumas mudanças
As quais sem titubear entendia
O coração batendo violento
Alertava que algo o peito invadia
Seu corpo era uma caixa
Dentro, lindas histórias de amor
Das fantasias mais sinceras
Consistia seu interior
Mas permanecia fechada
Jamais ousou ela abrir
Temia que a perfeição almejada
Pudesse não vir a existir
Eram cenários magistrais
Que extraíam todo afeto possível
Do atrevimento e da vergonha
Nasceria um amor invencível
Seu temor foi confirmado
Como alcançar sem estender a mão?
A dor veio pois estava despreparado
Para enfrentar as incertezas da paixão
Depois foi assolado pela decepção
Dirigida a uma pessoa inocente
A imaturidade é a imposição
Sobre o raciocínio que é ausente
A chama da mágoa se extinguiu
Suas cinzas o vento esvoaçou
O espelho então refletiu
A face que nunca o abandonou
Percebeu que o corte machuca
Que o sangue é vermelho vivo
Ele foi totalmente esquecido
Durante seu sonho obsessivo
E aos poucos sem querer
Criou laços consigo
Alimentou o desejo de cuidar e proteger
Do seu corpo, seu amigo
Certa aurora percebeu
Que de amor estava repleto
Olhando aos céus agradeceu
Por ser um homem completo
Sorriu à imprevisão da existência
A cura que jamais encontrou em alguém
Estava presa na imprudência
Em acreditar que era um ninguém
Viu brotar uma fé inabalável
Os dedos obedeceram ao comando
Portando uma segurança admirável
Foi atrás do amor que estava chamando
Ele se deparou com mais desilusões
Mas não o derrubavam como antes
Para resistir às suas frustrações
O amor próprio era mais do que bastante
Incerto é até quando esperar
Por outra mão que pegue na dele
E sua história assim que o momento chegar
Não pertencerá somente a ele
Veja bem quão importante é amar
A si próprio, logo, é obrigação
Custe o tempo que custar
O corpo e a alma estarão de prontidão
Samuel Garcia
Piratini, 22/08/2016
sábado, 23 de julho de 2016
Entrega.
Quando segundos são portas
Firmes, fortes... não parecendo ceder
Sereno, fecho os olhos
E o que me vem é você
Quando um carinho é um raio de luz
Limpo, divino... não parecendo cegar
Em silêncio por dentro eu festejo
Pois me vem o seu olhar
Quando escolhas são caminhos
Alegres, íntimos... na mesma direção
A confiança contente me domina
E sinto mais perto sua mão
Quando a solidão é imensidão
Derramando versos das frestas
Estes me ajudam a temperar
O beijo destinado a sua testa
Quando a sabedoria é uma estranha
Minha boca dita sem perceber
Palavras, letras e números
Que descrevem você
Se pelo menos pudesse me orientar
Dentre essa insistência que atormenta
Por que você é meu refúgio?
O qual basta pensar que acalenta?
Uma flor, um sentimento
Eu vejo você ali
Que magia eu enfrento?
É tão difícil de inibir
Um fato, uma vida
Quase instantânea ligação
Como o peixe lembra a água
E a lágrima uma emoção
De mais concreto uma incógnita
Suplico que diga, por quê?
Até onde vai seu controle?
Será que meus passos prevê?
Sua presença em mim é constante
Já vislumbro seus dons
Suave... doce... viciante
É sua voz, anjo bom
Razões limitam a se esconder
Nesse emaranhado de pensamentos
A brisa acaricia seu cabelo
Enquanto brindo a inveja e o lamento
Vivo sinônimo do que é amável
Anjo de mistérios e certezas
Minha entrega é inegável
Já não me restam defesas
Samuel Garcia
Piratini, 23/07/2016
Firmes, fortes... não parecendo ceder
Sereno, fecho os olhos
E o que me vem é você
Quando um carinho é um raio de luz
Limpo, divino... não parecendo cegar
Em silêncio por dentro eu festejo
Pois me vem o seu olhar
Quando escolhas são caminhos
Alegres, íntimos... na mesma direção
A confiança contente me domina
E sinto mais perto sua mão
Quando a solidão é imensidão
Derramando versos das frestas
Estes me ajudam a temperar
O beijo destinado a sua testa
Quando a sabedoria é uma estranha
Minha boca dita sem perceber
Palavras, letras e números
Que descrevem você
Se pelo menos pudesse me orientar
Dentre essa insistência que atormenta
Por que você é meu refúgio?
O qual basta pensar que acalenta?
Uma flor, um sentimento
Eu vejo você ali
Que magia eu enfrento?
É tão difícil de inibir
Um fato, uma vida
Quase instantânea ligação
Como o peixe lembra a água
E a lágrima uma emoção
De mais concreto uma incógnita
Suplico que diga, por quê?
Até onde vai seu controle?
Será que meus passos prevê?
Sua presença em mim é constante
Já vislumbro seus dons
Suave... doce... viciante
É sua voz, anjo bom
Razões limitam a se esconder
Nesse emaranhado de pensamentos
A brisa acaricia seu cabelo
Enquanto brindo a inveja e o lamento
Vivo sinônimo do que é amável
Anjo de mistérios e certezas
Minha entrega é inegável
Já não me restam defesas
Samuel Garcia
Piratini, 23/07/2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Vozes de um Amor Ferido.
Escuto vozes nesse lugar
Que retumbam por toda prisão
Foi querendo me salvar
Que abracei minha punição
Pensei ter perdido o desafio
Não sabia ao certo como
Decorava sutileza e elogios
Nas noites sem sono
Era quem mais lhe adorava
Mesmo assim não foi o bastante
Meus atos, minhas frases, eu revisava
À busca de um erro a todo instante
Não poderia ter errado
Só sabia lhe enaltecer
Vai dizer que não tinha sonhado
Com alguém pra lhe convencer...
... de que é linda e feiticeira
Culta e dançarina
Submissa e guerreira
Mulher e menina
(Verdades que eu gostaria de negar...)
Imerso em lacrimosa solidão
Na noite infinita e cruel
Estrelas foram ao chão
E a lua evitou o céu
Havia um profundo rancor
Pela minha forma e meu ser
Por não provocar seu amor
E ser incapaz de lhe merecer
Sou prisioneiro da culpa
Juntamente com a razão
Após reparos e desculpas
Comecei a entender a questão
Daqui sairei quando me perdoar
Por amaldiçoar quem eu sou
Mas estou calmo, não vai demorar
Porque sei quem foi que errou
Em parte você estava certa
A superioridade existiu
Quando fizer tal descoberta
Verá que sua felicidade destruiu
No peito ainda sinto pontadas
Ao viajar por um futuro proibido
Desponta o sol na madrugada
E as vozes já são gemidos
Samuel Garcia
Piratini, 03/06/2016
Que retumbam por toda prisão
Foi querendo me salvar
Que abracei minha punição
Pensei ter perdido o desafio
Não sabia ao certo como
Decorava sutileza e elogios
Nas noites sem sono
Era quem mais lhe adorava
Mesmo assim não foi o bastante
Meus atos, minhas frases, eu revisava
À busca de um erro a todo instante
Não poderia ter errado
Só sabia lhe enaltecer
Vai dizer que não tinha sonhado
Com alguém pra lhe convencer...
... de que é linda e feiticeira
Culta e dançarina
Submissa e guerreira
Mulher e menina
(Verdades que eu gostaria de negar...)
Imerso em lacrimosa solidão
Na noite infinita e cruel
Estrelas foram ao chão
E a lua evitou o céu
Havia um profundo rancor
Pela minha forma e meu ser
Por não provocar seu amor
E ser incapaz de lhe merecer
Sou prisioneiro da culpa
Juntamente com a razão
Após reparos e desculpas
Comecei a entender a questão
Daqui sairei quando me perdoar
Por amaldiçoar quem eu sou
Mas estou calmo, não vai demorar
Porque sei quem foi que errou
Em parte você estava certa
A superioridade existiu
Quando fizer tal descoberta
Verá que sua felicidade destruiu
No peito ainda sinto pontadas
Ao viajar por um futuro proibido
Desponta o sol na madrugada
E as vozes já são gemidos
Samuel Garcia
Piratini, 03/06/2016
quarta-feira, 25 de maio de 2016
O Pouco pra Paixão.
Aceitaria aqui comigo
Você repleta de desejos
Vivendo em meu abrigo
Bebendo dos meus beijos
Ouvindo desses lábios
Aquele segredo sorrateiro
Que descontente com a metade
Abocanha o inteiro
Ele que pode ser revelado
Mas é necessário entender
Senão estaremos jogados
Atrás apenas de calor e prazer
E só isso não basta
Eu sei que você sabe...
Quando chegar a sua hora
Diga baixo e com autoridade
Se pelo nosso eterno agora
Me concede essa liberdade
Eu juro que tinha suas palavras
Mas as deixei em seu riso
Três sentidos desligados
Reforçam os dois de que preciso
Peço infinitos perdões
Se pareço distraído
É que fico por ocasiões
Completamente seduzido
Quero cada vez mais lhe viver
Esqueço o porquê da timidez
Esses dois sentidos já desligo
E agora ativo os outros três
O tato é o mais ousado
Invasão pura e plena
Percorre um trajeto traçado
Sem vergonha ou pena
Pelos que se enrijecem
Com poderosos calafrios
Dedos ali passearam
Por sobre seus sonos vazios
O olfato é o mais romântico
Aplica sua essência em mim
Um pouco de você aqui dentro
É uma emoção que não tem fim
E mesmo se não estiver ao meu lado
Eu vou tentar reviver
Um lençol, uma lembrança
Qualquer que tenha a marca de você
O paladar é uma onda
Que levanta o sal do oceano
Você pra mim é natural
Somente eu sou humano
E no meio de tanto sal
Encontro algo macio e doce
Um beijo faz com que eu sinta
A paixão que de longe você trouxe
Ao meu redor tudo me chama
Desperto desses devaneios
Quando sou mais imparcial
Fico tomado de receios
Se estou prestes a explodir
É porque não consigo deixar pra trás
Os ventos lhe trarão aqui?
A esperança levemente se desfaz
Falta muito pouco
Para uma paixão brotar
Como pode eu querer
O que antes custei a matar?
Mas se é pra ser diferente
Eu aceito de bom grado
Uma paixão pra cuidar
Apagará o velho pecado
Samuel Garcia
Piratini, 25/05/2016
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