segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Amor Próprio.

Por longos anos, ele foi indiferente
Inflexível, com leves sinais de amargura
Para si mesmo, era um simples vivente
Cobiçando o que seria sua cura

O espelho nada refletia
Fosse costume ou desgosto
Sua mente não absorvia
As mudanças em seu rosto

Porém, haviam algumas mudanças
As quais, sem titubear, entendia
O coração batendo violento
Alertava que algo, o peito, invadia

Seu corpo era uma caixa
Dentro, lindas histórias de amor
Das fantasias mais sinceras
Consistia seu interior

Mas permanecia fechada
Jamais ousou, ela, abrir
Temia que a perfeição almejada
Pudesse não vir a existir

Eram cenários magistrais
Que extraíam todo afeto possível
Do atrevimento e da vergonha
Nasceria um amor invencível

Seu temor foi confirmado
Como alcançar sem estender a mão?
A dor veio pois estava despreparado
Para enfrentar as incertezas da paixão

Depois, foi assolado pela decepção
Dirigida a uma pessoa inocente
A imaturidade é a imposição
Sobre o raciocínio, que é ausente

A chama da mágoa se extinguiu
Suas cinzas, o vento esvoaçou
O espelho então refletiu
A face que nunca o abandonou

Percebeu que o corte machuca
Que o sangue é vermelho vivo
Ele foi totalmente esquecido
Durante seu sonho obsessivo

E aos poucos, sem querer
Criou laços consigo
Alimentou o desejo de cuidar e proteger
Do seu corpo, seu amigo

Certa aurora, percebeu
Que de amor, estava repleto
Olhando aos céus, agradeceu
Por ser um homem completo

Sorriu à imprevisão da existência
A cura que jamais encontrou em alguém
Estava presa na imprudência
Em acreditar que era um ninguém

Viu brotar uma fé inabalável
Os dedos obedeceram ao comando
Portando uma segurança admirável
Foi atrás do amor que estava chamando

Ele se deparou com mais desilusões
Mas não o derrubavam como antes
Para resistir às suas frustrações
O amor próprio era mais do que bastante

Incerto é até quando esperar
Por outra mão que pegue na dele
E sua história, assim que o momento chegar
Não pertencerá somente a ele

Veja bem quão importante é amar
A si próprio, logo, é obrigação
Custe o tempo que custar
O corpo e a alma estarão de prontidão


Samuel Garcia
Piratini, 22/08/2016

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