quarta-feira, 7 de maio de 2014

As Coisas da Alma.

Sei que fui insensato
Meus lábios sempre fechados
Não trouxeram o ato
Dos amores afortunados

Sei que fui indiferente
Esqueci que havia pressa
Eu, estável e descrente
E o tempo, tão adiante e depressa

Não trago marcas e cicatrizes
Sobre as coisas da alma eu desconheço
Pouco sei das suas feridas, suas crises
Mas quaisquer consequências eu sei que mereço

Foram tolices e bobagens
Nomes que soam mesquinhez
Mas podem ser impiedosas e selvagens
Destruindo a reputação que o coração fez

Proteger a alma dos males ao redor
Os discursos e ações em nada ajudam
A proteção cada vez menor
Reza pelas decisões que não mudam

Sei que muito fraquejei
Os erros hoje, já são mais que eu
Pois tudo o que precisei
Aos sentidos dissolveu

Os dias são os mesmos de antes
O sol e a lua passam sobre mim
Mas tudo é sempre igual
Uma penumbra que parece não ter fim

Só vivo para descobrir se há volta
Sinto esse profundo vazio
Que não é preenchido e não me solta
Aceito o castigo mas também o desafio

Se houver uma chance por menor que seja
De inverter a situação do corpo e da mente
Buscaria o que minh’alma doída almeja
Uma jornada para reverter esse martírio tão presente

Desfechos, conclusões e finais
Palpites sobre o que veio depois
Não vem tão naturais
Quanto ao que foi partido em dois


Samuel Garcia
Piratini, 07/05/2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Em um Outro Outono.

E quanto tempo já faz
Que o presente se foi e não se despediu
Hoje, outro presente e as mesmas razões
Que meu coração não ouviu

Sei daquelas falhas
Mas quem as cometeu?
Apesar de tantas batalhas
Não foi você, muito menos eu

E eu, o tempo todo
Humilde e sedento de amor
Ao querer nossa vida ao meu modo
Me deixei levar pelo sonho tentador

Eu vi o tudo e o nada acontecer
Enquanto treinava as promessas certas
Mesmo antes de jurá-las já se puseram a morrer
E nem sequer suas sobras foram descobertas

Fomos imprudentes e egoístas
Nossos erros excederam a nós mesmos
Em um choque de emoções mistas
Não houve a ligação, a sintonia

Tivemos o instante
Mas nem tudo é para ser
Às vezes o que nos parece importante
Só sabe nos enfraquecer

Meus enganos me consumiram
Quando vi o teu real
Venerações se extinguiram
Ao perceber que tu eras tão normal

Enganado sobre ti
Ou certo sobre aquela outra
Eu sempre senti
Que agora tu és outro alguém

Então me diz
O que fez dela?
Aquela menina feliz
Que tratei como donzela

Se por acaso a levou
Pr’outros campos, outros mares
Diga que o poeta a procurou
Por todos os lugares

A doce menina que me fascinava
Partiu de meus braços após um beijo
E me calei quando percebi que não realizava
Aquele meu mais sincero e intenso desejo

Nada do que te compunha ficou
A aura daquela menina há muito se apagou
Mas ela vai brilhar mais uma vez
Num outro corpo por aí...

E mesmo assim eu sei
Que não te amei
Eu conheço o amor
Mas nunca o senti...


Samuel Garcia
Piratini, 10/04/2014

domingo, 6 de abril de 2014

Sol

Quando o tempo se desfaz
E os objetivos desaparecem,
Só tu, Sol, traz de volta
Todos aqueles que se perdem.

Falo de todos porque sou uma deles
Pois quantas vezes perdi-me em um olhar indiferente?
Perguntando-me qual era o caminho,
O que nos levava à frente?

Toda a luz que há em mim hoje
Foste tu que me doou;
E um pouco antes do fim dessa noite
Devolver-te-ei o que sobrou.

Se sou Lua agora
É porque tu iluminas minha rua
Por isso, não importa o que haja,
Uma parte minha vai ser sempre tua.


Maikele Farias, 
Dedicada à Edison Júnior. 
Porto Alegre, 2014.

domingo, 23 de março de 2014

Eu deveria dizer a ela...

 Há três anos eu olhava pela pequena janela do meu quarto me perguntando quando o futuro viria, quando me levaria. Eu chorava procurando paz no horizonte porque tudo demorava a chegar e eu queria a vida agora, eu queria viver! Tu me trazias parte disso cada vez que atravessava o portão. Tu me salvavas um pouquinho, um pouquinho a cada dia. Vinhas com um sorriso... A boca cheia de gracejos, os dentes alvos de promessas. E me enchia. E eu odiava. Tu eras tudo que eu gostaria de ser e também o que eu abominava. Eu comia inveja em todas as refeições. Bebia orgulho para matar a sede. Agora por dentro eu fiquei amarga... mas, pelo menos, tu ficaste banguela. 


Maikele Farias,
Porto Alegre, 2014.

sábado, 15 de março de 2014

Onde Estão as Poesias de Amor?

De olho no horizonte
Espero a inspiração fonte
Eu sigo aonde for
As poesias de amor

Sonhos de um amante
Ou dos simpatizantes
Há uma magia de euforia e calor
Nas poesias de amor

Amigas das afeições
Irmãs das canções
Desconhecem o rancor
As poesias de amor

Possuem um poder esquecido
O universo seria tão unido
Se todos soubessem o valor
Das poesias de amor

Lembretes ou declarações
Juramentos ou perdões
A beleza e a inocência da flor
Estão presentes nas poesias de amor

E eu que vou atrás
Daquilo que sou capaz
Não penso na dor
Tendo ao meu lado as poesias de amor

Onde estarão as poesias de amor?
Aqui já falta sua graça, falta o sabor
Sem elas trago ânsias para declamar
Os versos que em mim quiseram morar


Samuel Garcia
Bagé, 15/03/2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

Como Encontrei Minha Liberdade.

Estradas tortuosas estão à minha frente
O silêncio acompanha um tom diferente
Até as portas que levam à solidão
O rumo me toma pela mão

Tenho meu próprio mundo
Não respondo a primeiros ou segundos
Tenho meus próprios princípios
Ilusões desprovidas de vícios

Um homem sem igual
Talvez não seja natural
Sigo atrás da trégua há muito procurada
Onde minha verdadeira escolha faz sua morada

Farto estou de seguir essa direção
Tantos passos, tanto chão
E se o fim não levar a lugar nenhum
Serei dos desacreditados mais um

Por isso então questiono
É tão errado querer ser meu próprio dono?
Eu quero caminhar onde ninguém ousa pisar
Vencer desafios que ninguém ousa enfrentar

A estrada vai se tornando mais e mais confusa
À medida em que o forte vento de mim abusa
Seu assobio a cada segundo é mais estridente
Às vezes parece um pesadelo recorrente

Pela frente são pedras e buracos
Prontos para parar os mais fracos
Mas só eu sei quando meu trajeto irá acabar
Quando não tiver mais motivos pra sonhar

Já posso contemplar a solidão
O medo é a sua arma de destruição
Agora ela é minha única companhia
Pode ser que dela eu me desprenda algum dia

Sinto o cheiro repulsivo da derrota
Dos que caíram nessa mesma rota
Quem sabe não basta a força de vontade
Nem o fôlego e nem a coragem

Mas aqui estou debilitado, porém, em pé
Joguei-me desesperado nos braços da fé
Não posso afirmar se foi o que me salvou
O certo é que o meu corpo a tudo aguentou

Imundo, exausto e solitário
Agora provarei o contrário
Somos nossos próprios reis
Não somos “nós” e sim “vocês”

Somos únicos e originais
À parte de humanos não somos iguais
Não confundam semelhança com igualdade
Eu busquei e encontrei minha liberdade

São tantos os que desistem
Retornam ou se omitem
O prêmio é sermos quem quisermos
Sendo quem deveríamos ser somos eternos


Samuel Garcia
Piratini, 10/03/2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

“Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos. Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.”
                                                                          

                                 (José Saramago)