domingo, 8 de junho de 2014

Dois Finais.

Meu pensamento vive rondando tua imagem
E o meu alcance clama pela melhor saída
Quem pode saber do nosso lar, das nossas viagens
Atrás de dias e noites unidos em um só nessa vida?

Teus olhos são pegadas
Que sigo sem parar, impaciente
E as lembranças sempre reanimadas
Falam que em mim tu estás presente

Formosa e sedutora
Dos teus truques faz bom uso
Em todos eles caio de forma assustadora
E a opção de te ignorar eu recuso

Meus pés estão mais cansados
Porém, eu espero e ainda posso te levar
Por vários passeios planejados
Pelo coração de quem sorri ao te enxergar

Sinto medo, pois acostumado eu sou
Dos desencontros que me são conhecidos
E se hoje vejo o que restou
São velhos sorrisos que foram esquecidos

Motivos costumam escapar dos meus dedos
Só não escapa a certeza de que posso mais
Lugares e momentos conspiram segredos
Nas histórias de amor que possuem dois finais

E assim tento vencer uma luta
Que nem sequer começou
Mereciam entrar na disputa
Quem contra nós vai ficar e já ficou?

Abracemos então os segundos e instantes
Que por enquanto são nossos únicos aliados
Nesses dilemas de corações distantes
Que se forem reunidos serão rejeitados

"Eu espero se tu me esperar", é o que digo
Viver por um juramento
É o preço pra quem busca ficar contigo
Se não agora, em algum tempo

Meu bem, eu confio no futuro
Ele te prometeu pra mim
Com ele do meu lado estou seguro
De que tu e eu estaremos juntos no fim


Samuel Garcia
Piratini, 08/06/2014

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Teu Reino.

Veja! Quantas luzes neste pedaço de céu
Ora, pois quão perfeita harmonia
Tem a serenidade daquele sorriso teu
E tudo isso a ti pertence, quem diria?

Espero que de mim não esqueças
Mas o poder não te cega
Teu reino vive de outras riquezas
Paz e amor é o que prega

É certo que tu estás muito melhor agora
Talvez seja egoísmo te querer aqui
Mas a saudade não deixa a aceitação agir

As luzes são realmente deslumbrantes
Melhor reflexo de ti não há e aqui
Eu vivo sabendo que um dia nada vai acabar


Samuel Garcia
Piratini, 14/05/2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Terras Distantes.

Teu estranho mais íntimo
Tuas palavras e todo o resto
Assim, além do inimaginável
Teu corpo eu infesto

Distância é lenda
Saudade é boato
Retalhos, costuras e emendas
Consertam o que é insensato

Cá no escuro do aposento
O que há não nos acusa
Se fingirmos não sermos nós
Eu, um outro homem e tu, uma musa

E que seja aos olhos proibido
O sonho mais real que já se viu
Sem limites é a libido
De dois amantes num quarto frio

Resistência não existe
A submissão é vitoriosa
E assim como eu, tu insiste
Em lutar contra essa tentação poderosa

Tempo e mundo são insignificantes
Se teu lado está junto ao meu
Tua figura e sedução provam o semblante
Da perfeição que o destino me deu

E se tu lê minha boca com um olhar
É quando viajamos por outras terras distantes
Onde vive a pura missão de cuidar
Daqueles que no calor da paixão nos são semelhantes

Penetrando no meu presente
Apagou meu passado
Pelo crime de antes não te conhecer
Me declarou culpado

Não me importo com o futuro
Contanto que tua estrada seja a minha
A garantia de viver seguro
É jamais te deixar sozinha


Samuel Garcia
Piratini, 09/05/2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As Coisas da Alma.

Sei que fui insensato
Meus lábios sempre fechados
Não trouxeram o ato
Dos amores afortunados

Sei que fui indiferente
Esqueci que havia pressa
Eu, estável e descrente
E o tempo, tão adiante e depressa

Não trago marcas e cicatrizes
Sobre as coisas da alma eu desconheço
Pouco sei das suas feridas, suas crises
Mas quaisquer consequências eu sei que mereço

Foram tolices e bobagens
Nomes que soam mesquinhez
Mas podem ser impiedosas e selvagens
Destruindo a reputação que o coração fez

Proteger a alma dos males ao redor
Os discursos e ações em nada ajudam
A proteção cada vez menor
Reza pelas decisões que não mudam

Sei que muito fraquejei
Os erros hoje, já são mais que eu
Pois tudo o que precisei
Aos sentidos dissolveu

Os dias são os mesmos de antes
O sol e a lua passam sobre mim
Mas tudo é sempre igual
Uma penumbra que parece não ter fim

Só vivo para descobrir se há volta
Sinto esse profundo vazio
Que não é preenchido e não me solta
Aceito o castigo mas também o desafio

Se houver uma chance por menor que seja
De inverter a situação do corpo e da mente
Buscaria o que minh’alma doída almeja
Uma jornada para reverter esse martírio tão presente

Desfechos, conclusões e finais
Palpites sobre o que veio depois
Não vem tão naturais
Quanto ao que foi partido em dois


Samuel Garcia
Piratini, 07/05/2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Em um Outro Outono.

E quanto tempo já faz
Que o presente se foi e não se despediu
Hoje, outro presente e as mesmas razões
Que meu coração não ouviu

Sei daquelas falhas
Mas quem as cometeu?
Apesar de tantas batalhas
Não foi você, muito menos eu

E eu, o tempo todo
Humilde e sedento de amor
Ao querer nossa vida ao meu modo
Me deixei levar pelo sonho tentador

Eu vi o tudo e o nada acontecer
Enquanto treinava as promessas certas
Mesmo antes de jurá-las já se puseram a morrer
E nem sequer suas sobras foram descobertas

Fomos imprudentes e egoístas
Nossos erros excederam a nós mesmos
Em um choque de emoções mistas
Não houve a ligação, a sintonia

Tivemos o instante
Mas nem tudo é para ser
Às vezes o que nos parece importante
Só sabe nos enfraquecer

Meus enganos me consumiram
Quando vi o teu real
Venerações se extinguiram
Ao perceber que tu eras tão normal

Enganado sobre ti
Ou certo sobre aquela outra
Eu sempre senti
Que agora tu és outro alguém

Então me diz
O que fez dela?
Aquela menina feliz
Que tratei como donzela

Se por acaso a levou
Pr’outros campos, outros mares
Diga que o poeta a procurou
Por todos os lugares

A doce menina que me fascinava
Partiu de meus braços após um beijo
E me calei quando percebi que não realizava
Aquele meu mais sincero e intenso desejo

Nada do que te compunha ficou
A aura daquela menina há muito se apagou
Mas ela vai brilhar mais uma vez
Num outro corpo por aí...

E mesmo assim eu sei
Que não te amei
Eu conheço o amor
Mas nunca o senti...


Samuel Garcia
Piratini, 10/04/2014

domingo, 6 de abril de 2014

Sol

Quando o tempo se desfaz
E os objetivos desaparecem,
Só tu, Sol, traz de volta
Todos aqueles que se perdem.

Falo de todos porque sou uma deles
Pois quantas vezes perdi-me em um olhar indiferente?
Perguntando-me qual era o caminho,
O que nos levava à frente?

Toda a luz que há em mim hoje
Foste tu que me doou;
E um pouco antes do fim dessa noite
Devolver-te-ei o que sobrou.

Se sou Lua agora
É porque tu iluminas minha rua
Por isso, não importa o que haja,
Uma parte minha vai ser sempre tua.


Maikele Farias, 
Dedicada à Edison Júnior. 
Porto Alegre, 2014.

domingo, 23 de março de 2014

Eu deveria dizer a ela...

 Há três anos eu olhava pela pequena janela do meu quarto me perguntando quando o futuro viria, quando me levaria. Eu chorava procurando paz no horizonte porque tudo demorava a chegar e eu queria a vida agora, eu queria viver! Tu me trazias parte disso cada vez que atravessava o portão. Tu me salvavas um pouquinho, um pouquinho a cada dia. Vinhas com um sorriso... A boca cheia de gracejos, os dentes alvos de promessas. E me enchia. E eu odiava. Tu eras tudo que eu gostaria de ser e também o que eu abominava. Eu comia inveja em todas as refeições. Bebia orgulho para matar a sede. Agora por dentro eu fiquei amarga... mas, pelo menos, tu ficaste banguela. 


Maikele Farias,
Porto Alegre, 2014.